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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

“Todo mundo” quer ser vice de Caiado porque 2022 pode decidir jogo político de 2026

 Editorial--Por Editor Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Daniel Vilela, presidente regional do MDB| Foto: Divulgação

O governador trabalha para ser reeleito ao robustecer a musculatura de sua base político-eleitoral. Por isso Daniel Vilela deverá ser o seu vice O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas, é o favorito para a disputa de 2022. Tanto que, até o momento, as oposições não conseguiram definir um nome para enfrentá-lo. O PSDB e parte do Podemos tentam, de alguma maneira, produzir um postulante que não pertence aos seus quadros — Gustavo Mendanha, do MDB. O que prova, por si, a dificuldade de se lançar um candidato consistente para a disputa do próximo ano. Líderes do Patriota sugerem que podem bancar Jânio Darrot para a chefia do Executivo, com a ressalva de que o ex-prefeito de Trindade — por sinal, gestor competente — não empolga ninguém, talvez nem a si próprio. Na hora agá, o tucanato poderá bancar Marconi Perillo e o PT poderá lançar Kátia Maria para o governo. Por que Perillo disputaria o governo, se sua rejeição permanecer alta? Na verdade, não seria um candidato “para ganhar”, e sim para se apresentar como contraponto ao governador Ronaldo Caiado. Uma derrota pra um governador bem avaliado, com vasta experiência política, não será nenhum demérito para o tucano que governou Goiás por quatro vezes. Porém, se não for eleito para deputado federal, ficará uma mancha indelével no currículo, porque mostrará fragilidade. O fato é que Perillo não quer disputar o governo e, por isso, tem articulado com Sandro Mendez (ex-Mabel) a formatação de uma chapa com Mendanha para governador. A ressalva é que, com Daniel Vilela na vice de Ronaldo Caiado, dificilmente Mendanha terá discurso para uma campanha majoritária. Iria prevalecer, em toda a campanha, a tese de que “traiu” Daniel Vilela e a memória de Maguito Vilela. Os eleitores goianos perdoam muita coisa — menos ingratidão e traição. Se não há oposição externa para enfrentar Ronaldo Caiado, em igualdades de condições — eleitores dizem, nas pesquisas, que o governador é “competente”, “decente” e “preocupado com gente” —, há uma crise, digamos, de superprodução ou abundância, na base governista. Não se trata de uma crise de amplo espectro e, portanto, tende a não prejudicar o projeto de reeleição de Ronaldo Caiado. A crise é a seguinte: há uma superprodução de vices. É como se, de repente, “todo mundo” — expressão genérica, mas, no caso, válida —, quisesse ser vice do governador. Vale lembrar que, embora fosse o favorito para governador na disputa de 2018, não havia nenhuma fartura de vice. Lincoln Tejota foi escolhido para vice sem nenhum questionamento da base caiadista. Agora, com o governo bem-sucedido de Ronaldo Caiado — até empreiteiros (que, às vezes, são “vítimas” de políticos espertos) dizem que não há propina na gestão —, há mais “candidatos” a vice do que a governador. Por que, exatamente, a inflação de vices ou quase-vices? Simples assim: se Ronaldo Caiado for reeleito, a tendência é que, em 2026, deixe o governo para disputar mandato de senador — ao lado, possivelmente, do senador Vanderlan Cardoso (PSD). Ao deixar o governo, seu vice assumirá o governo e, como tal, será candidato à reeleição, com a possibilidade de vencer o pleito, dadas a aliança política encorpada e uma chapa majoritária poderosa, considerando que Ronaldo Caiado e, possivelmente, Vanderlan Cardoso postularão vaga no Senado.----Lissauer Vieira e Daniel Vilela: símbolos da renovação política| Foto: Reprodução
A rigor, há, no momento, três políticos mais bem posicionados para a disputa da vice: Daniel Vilela (37 anos), Lincoln Tejota (37 anos) e Lissauer Vieira (41 anos). Os três jovens são políticos de valor, com uma história política meritória. (Fala-se também na possibilidade de Roberto Naves, Vanderlan Cardoso e Adib Elias terem interesse pela vice. Mas é pura especulação. Os três estão noutra vibe.) Daniel Vilela foi vereador, deputado estadual, deputado federal e disputou o governo de Goiás em 2018, ficando em segundo lugar, à frente do candidato governista, José Eliton, do PSDB. Foi um parlamentar atuante e, como presidente do MDB, remontou as bases do partido no interior, contribuindo para a eleição de 28 prefeitos. Lincoln Graziani Pereira da Rocha foi deputado estadual por duas vezes e é vice-governador de Goiás. Na vice, segue o estilo de Marco Maciel, o discreto vice do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ronaldo Caiado tem um carinho especial pelo companheiro de jornada e o considera “proativo”. Não lhe causa problema algum. Lissauer Vieira era um deputado anódino, até surgir a oportunidade de assumir a presidência da Assembleia. À frente do Poder Legislativo, provando que a circunstância — ou oportunidade — faz o homem e vice-versa, consagrou-se como hábil articulador. Muito da governabilidade de Ronaldo Caiado deriva das habilidades de diplomata do político de Rio Verde, no Sudoeste goiano. Mesmo parlamentares das oposições consideram que, embora aliado do governador, mantém a Assembleia em alto nível, com sua autonomia preservada. O preferido da base governista é Lissauer Vieira. Porque, exatamente, não se sabe. Pode-se arriscar algumas hipóteses. Primeiro, nunca entrou em choque com as figuras tradicionais, portanto não tem arestas com o prefeito de Catalão, Adib Elias (Podemos), e com o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Segundo, mantém relacionamento estreito com a base governista, até por ser presidente da Assembleia. Terceiro, é uma incógnita e, talvez por isso, esteja sendo “subestimado” (ou, noutra perspectiva, “superestimado”). Em sã consciência pode-se acreditar que, se assumir o governo em 2026, não se tornará candidato à reeleição no dia seguinte — barrando o projeto de, por exemplo, Vanderlan Cardoso? Em pouco tempo, estando no governo, vai se assenhorar da base governista. Basta verificar sua habilidade como presidente da Assembleia. Ele se tornou, rapidamente, o presidente de todos os deputados, e não apenas da base governista. Ronaldo Caiado tem apreço por Daniel Vilela, Lincoln Tejota e Lissaeur Vieira. Mas, em política, se impõe o mais visceral dos realismos. Primeiro, Lincoln Tejota e Lissauer Vieira já estão na base do governador e, independentemente de divergências pontuais, vão caminhar com ele em 2022. Segundo, os partidos dos dois, Cidadania e PSB, não têm expressão em Goiás. Tanto que Lissauer Vieira deve disputar mandato de deputado federal por outro partido. Terceiro, Daniel Vilela está se aproximando, mas ainda não pertence à base do governador e lidera um partido com longa história na política de Goiás — com figuras emblemáticas, como Iris Rezende e Maguito Vilela. Portanto, o emedebista soma para fortalecer a musculatura da base governista. Em 1998, Iris Rezende, se tivesse aceitado a participação do grupo de Marconi Perillo na sua chapa — como candidato a senador (emedebistas dizem que aceitaria até uma suplência) —, teria sido eleito. Mas, ao ouvir aliados — que lhe diziam que já estava eleito e que o melhor a fazer era discutir não a eleição, e sim a escolha do secretariado —, acabou perdendo. Um aliado assinalou, de maneira explícita: “Não precisamos do PSDB, pois podemos ganhar apenas com o PMDB e os pequenos partidos que nos acompanham”. Recentemente, um aliado de Ronaldo Caiado disse a um repórter do “Jornal Opção”: “Não precisamos de Daniel Vilela. Podemos ganhar a eleição apenas com a atual base”. É o mesmo discurso do irismo de 1998. Ocorre que Ronaldo Caiado é extremamente perspicaz e articula para atrair o jovem político para sua base e vai bancá-lo para vice. Até porque, com sua franqueza habitual, costuma dizer a aliados que a escolha do vice é uma prerrogativa do candidato a governador (a disputa para candidato a senador deve ser decidida por sua base política) Há outro detalhe: ele ouve com atenção os interlocutores, mas não admite ser pressionado. Ele exerce sua autoridade, porque não foi eleito para ser (co)mandado. Mendanha trai? Caiado não trai Há quem, no MDB, tema que Ronaldo Caiado, na hora agá, não cumpra o acordo com Daniel Vilela e, atendendo às pressões de sua base, não lhe dê a vice. O Jornal Opção ouviu dois caiadistas e dois adversários do governador. O que se lerá a seguir é uma síntese do que disseram: “Gustavo Mendanha pode até trair Daniel Vilela e a memória de Maguito Vilela, mas Caiado não trai. O que for combinado será cumprido”. Retomando a tese do realismo político, há outro aspecto a ressaltar. Se Mendanha decidir ser candidato a governador — com o apoio de Perillo e Sandro Mendez —, Daniel Vilela poderá ser o principal “antídoto” contra o prefeito de Aparecida de Goiânia. Primeiro, porque, na vice de Caiado, não permitirá que Mendanha leve prefeitos do MDB para sua campanha. Segundo, o prefeito ficará com a imagem de “traidor”. Terceiro, constará na campanha como o político que está tentando se tornar o “elixir da ressurreição” política do marconismo. Sem o apoio de Daniel Vilela, Mendanha ficará mais fraco. Porém, com o apoio do presidente do MDB, Caiado ficará ainda mais forte — com a possibilidade de ser reeleito no primeiro turno. É praticamente certo que Daniel Vilela será o vice de Ronaldo Caiado. Por isso chegou a hora de o presidente do MDB reabrir o diálogo com Adib Elias, Paulo do Vale e Renato de Castro. Vale lembrar o que disse o presidente Getúlio Vargas, que governou o país por quase 20 anos: “Nunca tive um amigo que não pudesse tornar-se um inimigo ou um inimigo que não pudesse tornar-se amigo” (variação da frase: “Inimigos, não sei se os tenho. Mas se os tiver, não serão jamais tão inimigos que não possam vir a ser amigos”). Não há a menor dúvida de que a raiva, como disse Tancredo Neves, não é um elemento constitutivo dos políticos vencedores. Adib Elias e Daniel Vilela deveriam sentar-se à mesa, dialogar e entender que, às vezes, para ganhar uma eleição — sobretudo contra um grupo que mandou no Estado por 20 anos —, é preciso pensar como estadista. Ronaldo Caiado está agindo com inteligência, ao travar uma aliança possivelmente forte contra ele e ampliando sua própria aliança. Então, é preciso que homens inteligentes, como Adib Elias (é um trator, mas de coração imenso, sempre generoso), Paulo do Vale, Vanderlan Cardoso, Roberto Naves e Lissauer Vieira se irmanem pelo projeto maior — que é garantir a vitória de Ronaldo Caiado, e já no primeiro turno, quiçá. Quem pensa pequeno — por exemplo, em vingança pessoal — às vezes esmaga os próprios projetos. Fonte: https://www.jornalopcao.com.br/

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