domingo, 7 de junho de 2026

Em meio a debate sobre aborto legal, 100 meninas de até 14 anos viram mães por ano no DF

 

                  Arte/Metrópoles

Projeto aprovado recentemente no Senado anula resolução que estabelecia normas para o aborto legal em menores vítimas de estupro no Brasil.

Thalita Vasconcelos

Enquanto o Senado Federal avança na revogação das diretrizes do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) para o atendimento de menores vítimas de violência sexual e acesso ao aborto legal, o Distrito Federal contabilizou, entre 2020 e 2024, 503 partos de meninas de 10 a 14 anos, faixa etária em que toda gestação é considerada resultado de estupro de vulnerável pela legislação brasileira.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) n° 3/2025, aprovado na última terça-feira (2/6), suspendeu os efeitos de inteiro teor na Resolução nº 258 de 2024 do Conanda. A resolução previa uma série diretrizes e orientações que deveriam ser aplicadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento a menores vítimas de estupro amparados na lei da Interrupção Legal da Gestação.

A norma agora derrubada pelo Congresso estabelecia que menores vítimas de estupro tivessem direito ao aborto legal de forma “célere e sem discriminação“, bem como acesso à informação “de forma clara e adequada à sua idade” sobre sua saúde e condição.

Em termos simples, o PDL não suspende a lei que prevê o acesso à interrupção da gestação de forma legal. Ou seja, o aborto em casos de estupro segue garantido pelo artigo 128, inciso II, do diploma penal de 1940. O que o Senado aprovou foi a derrubada da resolução que regulamenta e orienta como esse direito deve ser acessado e estabelecido dentro da rede pública de saúde.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), referentes a crianças e adolescentes atendidas na rede pública, 123 meninas entre 10 e 14 anos deram à luz em 2020. Embora o número tenha apresentado redução ao longo dos anos, o cenário continua preocupante. Em 2024, foram registrados 88 partos nessa mesma faixa etária.

Os dados são do sistema Info Saúde-DF e contemplam apenas os nascimentos com vida. Isso significa que o total de gestações envolvendo meninas de 10 a 14 anos pode ser ainda maior, uma vez que a base não inclui casos de natimortos, perdas gestacionais ou interrupções da gravidez.

Meninas entre 10 e 14 anos que tornaram-se mães no DF

2020-2024


Código Penal brasileiro classifica como estupro de vulnerável “ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos”. Ou seja, todas as 503 meninas que engravidaram no DF entre 2020 e 2024 teriam direito ao aborto legal pelo SUS.

Todavia, a análise dos dados aponta que o número de abortos legais feitos por ano se mostra “irrisório” se comparado à quantidade de crianças de até 14 anos que são mães.

De acordo com a SES-DF, no primeiro semestre do ano passado, 199 mulheres foram atendidas e realizaram a interrupção da gravidez de forma legal em ambiente de saúde adequado. Destas, 13 eram crianças ou adolescentes entre 10 e 18 anos. Ao longo de 2024, 41 meninas realizaram o aborto legal no rede pública do DF e em 2023 foram 31 casos.

Acesso ao Aborto legal

A rede pública de saúde do DF oferece atendimento especializado e humanizado às pessoas vítimas de violência sexual. Nesses casos, é fundamental que a vítima procure uma unidade de urgência e emergência o mais rápido possível, preferencialmente em até 72 horas após a ocorrência, para ter acesso à quimioprofilaxia e às demais medidas de prevenção.

Todos os hospitais da rede estão aptos a realizar esse primeiro atendimento. Após essa etapa inicial, a pessoa é encaminhada para acompanhamento especializado nos Centros de Especialidades para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual, Familiar e Doméstica (CEPAVs).

Outro serviço oferecido é o Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei (PIGL), que funciona no Hospital Materno Infantil de Brasília Dr. Antônio Lisboa (Hmib), unidade referência a esse tipo de atendimento tanto para o DF quanto para o Entorno.

Nos casos de gestação decorrente de estupro, o PIGL realiza a interrupção respeitando Norma Técnica do Ministério da Saúde (MS).

Para a codiretora da campanha Nem Presa Nem Morta, Laura Molinari, a derrubada da resolução do Conanda faz parte de um movimento mais amplo de setores conservadores para restringir o acesso ao aborto legal no país. Segundo ela, embora o PDL não altere os direitos já previstos na legislação brasileira, a medida pode gerar insegurança e dificultar o atendimento às vítimas de violência sexual.

“A resolução surgiu justamente porque, embora o direito exista na lei, ele muitas vezes não é acessado na prática. Todos os dias, mais de 30 meninas com menos de 14 anos dão à luz no Brasil. A norma buscava enfrentar obstáculos históricos no acesso aos serviços de saúde e proteção. Com sua derrubada, essas barreiras tendem a se fortalecer novamente”, afirma.

Segundo Molinari, além dos impactos sobre os serviços, a medida pode gerar medo e desinformação entre as vítimas e suas famílias. “Quando se cria um ambiente de incerteza sobre direitos já garantidos, muitas pessoas deixam de procurar ajuda. Isso afeta justamente quem está em situação de maior vulnerabilidade e precisa de informação acessível, acolhimento e proteção”, aponta.

A especialista também ressalta que a norma funcionava como um instrumento de padronização dos fluxos de atendimento, reunindo em um único documento diretrizes dispersas em leis, portarias e outros atos normativos.

Não é razoável esperar que um profissional consulte dezenas de legislações para saber como agir diante de uma criança vítima de violência sexual. A resolução consolidava essas orientações e facilitava o acesso ao cuidado”, explica.

PDL nº 3/2025

O PDL n° 3/2025 é de autoria da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) e foi relatado no Senado por Damares Alves (Republicanos-DF). O texto chegou na Casa Alta em novembro de 2025 e foi aprovado em uma votação relâmpago — em dois minutos o PDL foi aprovado em votação simbólica, quando não há registro dos votos.

Além da prioridade absoluta no acesso ao serviço do interrupção legal da gestação, a diretrizes do Conanda orientavam sobre agilidade no encaminhamento/acolhimento nos serviços especializados.

O texto destacava ainda que, quando houvesse gravidez decorrente de estupro, risco de vida ou anencefalia, a vítima deveria ser encaminhada imediatamente ao serviço de saúde. A manifestação de vontade da criança ou adolescente deveria ocorrer por meio de escuta especializada e com garantia de sigilo — seja com ou sem autorização dos pais.

As normas também asseguravam acompanhamento durante o processo e buscam evitar a revitimização. Na falta de serviço no local onde a menor reside ou procurou atendimento, o poder público deveria providenciar atendimento em outra localidade em até cinco dias, custeando o deslocamento.

No relatório, Damares defende que o Conanda invadiu competência do Legislativo. A parlamentar também criticou diretrizes estabelecidas pelo órgão, que prevê que a interrupção da gestação pode ocorrer sem a participação ou ciência dos pais e responsáveis da menor.

Quer dizer, os pais não serão comunicados de um possível procedimento de interrupção da gravidez e dos cuidados após a criança ter sido abusada. Os pais, se não forem eles os culpados, precisam participar desse processo de proteção da criança”, disse a senadora.

Na avaliação da senadora, esses temas também extrapolam a função regulamentar do conselho e exigem disciplina por meio de lei formal.

Em vez de fortalecer a articulação entre família, rede protetiva e órgãos de segurança pública, a norma cria mecanismos que relativizam a participação dos responsáveis legais e reduzem a centralidade de instrumentos tradicionalmente utilizados para proteger a própria criança”, afirmou.


Por outro lado, o Conada defende que, em termos práticos, o acesso de menores vítimas de violência ou que busquem pelo aborto dentro das previsões legais no Brasil, podem enfrentar mais dificuldade no acesso ao serviço de interrupção da gestão.

Na prática, a resolução nº 258 de 2024 estabelecia um “padrão” para ser implementado em todo o sistema público de saúde a partir da acolhida à vítima de violência ou que busque pelo aborto legal. A partir de agora, cada cidade, estado ou município, vai poder ter suas diretrizes.


Por se tratar de um instrumento constitucional que não exige sanção presidencial, o texto segue promulgação sem precisar da assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A assinatura da promulgação deve ser do próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).


Fonte: Metrópoles

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Marcas brasileiras fortalecem presença global durante semana da moda praia em Miami



  


46 empresas apresentaram coleções da Miami Swim Week, nos Estados Unidos; participação teve apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil)

 A moda praia brasileira voltou a ocupar espaço no mercado internacional durante a Miami Swim Week, realizada nos Estados Unidos. Ao longo do evento, encerrado na última segunda-feira (1º), 46 marcas nacionais apresentaram suas coleções a compradores, distribuidores e especialistas do setor, em uma vitrine voltada aos segmentos de beachwear, resortwear e lifestyle.

A participação brasileira ocorreu com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e integrou ações voltadas à ampliação dos negócios da indústria da moda no exterior. As empresas estiveram presentes em algumas das principais plataformas comerciais da programação, levando produtos que apostam em design próprio, inovação e práticas sustentáveis.

“É uma oportunidade de mostrar ao mercado internacional a força da nossa moda praia, que vai muito além da estética. Através dos programas Texbrasil e Fashion Label Brasil, a ApexBrasil apoia um setor que combina criatividade, autenticidade, inovação e sustentabilidade, atributos cada vez mais valorizados pelos consumidores e compradores globais”, destaca a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso.

A presença brasileira na Miami Swim Week contou com o suporte de dois programas voltados à internacionalização da moda nacional. O Texbrasil, desenvolvido pela ApexBrasil em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), e o Fashion Label Brasil, realizado em conjunto com a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), atuam para ampliar o acesso das empresas brasileiras ao mercado internacional.

No evento, as ações do Texbrasil levaram marcas nacionais à SwimShow e à Curve Miami. Já o Fashion Label Brasil apoiou a participação de empresas na Cabana Show, feira voltada ao segmento premium. Além dessas iniciativas, a marca Borana representou o Brasil na Colombiamoda Miami como convidada internacional, em uma ação inédita organizada pelo Texbrasil.

“A ApexBrasil apoia a moda brasileira por meio dos nossos projetos setoriais. Das 46 marcas selecionadas, temos 25 na Cabana Show, com uma curadoria bem rigorosa. Tem marcas que participam pela primeira vez e outras que vêm se consolidando nesse mercado. Na SwimShow, estamos levando 21 marcas para que possamos promover a moda brasileira mundo afora”, complementou Maria Paula Velloso.

Outra iniciativa ocorreu na Colombiamoda Miami. Pela primeira vez, a marca Borana participou como convidada internacional em uma ação promovida pelo Texbrasil.

A Plié, especializada em moda íntima, esteve entre as marcas brasileiras que participaram da Miami Swim Week. O gerente Nacional de Treinamentos e Produtos da empresa, Rodrigo Lopes, destacou a importância do apoio institucional para ampliar a presença em mercados internacionais.

“A Plié é uma indústria 100% brasileira e, com esse orgulho que nós temos, também agradecemos a ApexBrasil e a Abit por nos proporcionarem a oportunidade de estarmos juntos nesta feira e, com certeza, em outras que virão”, destacou.

Participação feminina e sustentabilidade

A presença brasileira em Miami refletiu o esforço do setor para ampliar sua atuação em mercados consolidados, como o norte-americano. Nos últimos anos, a moda nacional tem buscado espaço no exterior apoiada em atributos como identidade de marca, qualidade e diferenciação de produto.

Para Cecília Prado, proprietária da marca Cecília, especializada em moda feminina em tricô, a participação no evento representou um marco na trajetória da empresa e uma oportunidade de apresentar o trabalho da marca ao mercado internacional. “É muito tempo de dedicação, de entrega, de trabalho duro. E, aqui a gente vê toda essa concretização de sucesso e êxito”, enfatizou.

VEJA MAIS:

Entre as empresas ligadas ao Fashion Label Brasil, cerca de 85% são lideradas por mulheres. O programa reúne aproximadamente 180 marcas e atua há mais de duas décadas na promoção do design brasileiro fora do país. Segundo os dados da iniciativa, cerca de 40% das participantes já incorporaram práticas sustentáveis e ecológicas em seus processos produtivos.

No caso do Texbrasil, a atuação voltada à internacionalização da indústria têxtil e de confecção soma mais de 25 anos. Ao longo desse período, o programa apoiou cerca de duas mil marcas brasileiras e contribuiu para a geração de mais de US$ 11 bilhões em negócios internacionais.

Feira concentra compradores de vários países

Considerada uma das principais agendas globais do setor, a Miami Swim Week reuniu centenas de expositores de diferentes países e atraiu compradores, varejistas, distribuidores e jornalistas especializados.

Para as empresas brasileiras, a participação representou uma oportunidade de ampliar contatos comerciais, prospectar novos mercados e fortalecer sua presença internacional. A iniciativa também fez parte da estratégia da ApexBrasil de estimular a inserção de produtos brasileiros em mercados externos e ampliar a competitividade das empresas nacionais no comércio global.
 



Fonte: Brasil 61

quinta-feira, 4 de junho de 2026

" JATINHO DE LUXO DOS EUA É PEGO NO PARAGUAI COM 260 KG DE MACONHA PREMIUM: VIPs AMERICANOS PRESOS E PILOTO FOGE!"

 


No dia 30 de maio de 2026, a SENAD (Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai) apreendeu um Bombardier Challenger 604 no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção. O jato executivo veio de Miami (EUA), com escala no Panamá, carregando 261,6 kg de maconha premium (alta qualidade, com alto teor de THC), escondida em malas. A droga estava avaliada em cerca de US$ 3,6 milhões.

Três cidadãos americanos foram presos: Marisol Rivas (39), Troy Anthony Vásquez (42) e David Thomas Wise (58). O piloto principal, o estoniano Keith Siilats (empresário e co-fundador da Bolt), fugiu do país antes da operação e é considerado foragido. O copiloto, o americano Jabari Stephen Brown (“Captain Treezy” — conhecido por ter ganhado um jato em um desafio do MrBeast), foi detido brevemente mas liberado por falta de evidências de envolvimento.

A operação foi feita no âmbito do Programa Colibrí, com auxílio de cães farejadores. A maconha tinha destino provável ao mercado brasileiro.


Fonte: Brutus do Ar ( internet)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

 


e feriados, conforme determinado pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. Essa nova regra é fruto de um acordo entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores, que inicialmente pleiteavam o fechamento total nesses dias.

Exceções e fiscalização

Cidades como Catalão, Rio Verde e Itumbiara não seguem a norma, pois possuem sindicatos municipais próprios. O Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Supermercado e Hipermercado de Goiânia (SECOM) será o responsável por fiscalizar o cumprimento do novo horário.

Penalidades e multas

O descumprimento das regras ou o impedimento da fiscalização resultará em penalidades severas. O montante arrecadado com as multas será dividido igualmente: 50% para o trabalhador e 50% para o sindicato.

Valores das multas

InfraçãoValor da Multa
Descumprimento do horárioR$ 500 por funcionário, a cada dia irregular
Obstrução da fiscalização (Pequenas empresas)R$ 5.000
Obstrução da fiscalização (Grandes empresas)R$ 50.000

terça-feira, 2 de junho de 2026

Lula inaugura Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão: “A educação é para todos”

 

  • Unidade recebeu R$ 67 milhões de investimento do Governo do Brasil para as primeiras ações de funcionamento e tem foco na assistência, ensino, pesquisa e extensão no âmbito do SUS
O complexo hospitalar inaugurado beneficiará 56 municípios da macrorregião Centro-Sudeste de Goiás, oferecendo atendimento de média e alta complexidade, além de atuar ativamente na formação de novos profissionais de saúde. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (HU-UFCAT), nesta terça-feira, 2 de junho, no município de Catalão (GO). A unidade de saúde recebeu investimento de R$ 67 milhões do Governo do Brasil para iniciar as operações e dispõe de oncologia, entre outros serviços, atuando também na formação de profissionais de saúde nas áreas de medicina, enfermagem e psicologia. 

Nós temos o direito a tudo. Nós temos o direito a comer bem, a trabalhar bem, a ganhar bem, a morar bem, a estudar bem, a ter acesso a tudo que é importante nesse país. A educação é para todos, de verdade.”
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República 

“Nós temos o direito a tudo. Nós temos o direito a comer bem, a trabalhar bem, a ganhar bem, a morar bem, a estudar bem, a ter acesso a tudo que é importante nesse país”, ressaltou o presidente Lula durante a inauguração do hospital-escola. Segundo ele, o objetivo do Governo do Brasil é oferecer oportunidades iguais para toda a população, independente de sua origem ou renda. 

“A educação é para todos, de verdade. Eu não quero tirar ninguém de lugar nenhum. A única coisa que eu quero é que a filha da empregada tenha a chance de desfrutar da mesma educação. Eu não quero tirar nenhum branco da universidade, mas eu quero que o povo negro tenha a mesma chance de desfrutar essas oportunidades”, declarou Lula. 

Focado na assistência, ensino, pesquisa e extensão no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o complexo hospitalar beneficiará 56 municípios da macrorregião Centro-Sudeste de Goiás, oferecendo atendimento de média e alta complexidade, além de atuar ativamente na formação de novos profissionais de saúde. A capacidade assistencial é estimada em mais de 1,5 milhão de pessoas na região. 

INVESTIMENTOS — Dos R$ 67 milhões investidos pelo Governo do Brasil, R$ 27 milhões são do Ministério da Saúde para construção da infraestrutura e R$ 40 milhões do Ministério da Educação para as primeiras ações de funcionamento. Anualmente, o MEC vai repassar, ainda, R$ 261 milhões para o custeio do hospital. A prefeitura de Catalão também investiu R$ 100 milhões na construção do prédio.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, definiu a inauguração da unidade hospitalar como revolucionária na área da saúde e da educação, ajudando a salvar vidas e transformando o futuro do SUS nos próximos anos. “Esse hospital só está sendo aberto hoje graças ao Governo do Brasil, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aceitou a proposta de federalização e assumiu os recursos da educação e da saúde. Essa é uma forma do compromisso do seu governo em juntar saúde e educação para cuidar do nosso povo e do povo brasileiro.” 

DIREITO À EDUCAÇÃO — Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, as universidades produzem ciência e ajudam o país a se desenvolver. “Nós vamos continuar inaugurando hospital universitário, inaugurar campus universitário, inaugurar instituto federal, inaugurar universidade, aumentar a vaga de Prouni, aumentar Fies. Porque nós queremos mais e mais que a população brasileira possa ter o direito de sonhar, possa ter o direito de ter uma melhor renda, possa ter o direito de poder sonhar com uma universidade pública, de poder estudar no interior”, comentou. 

CAPACIDADE E ESTRUTURA – A unidade tem capacidade para 166 leitos de internação, sendo 30 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) adulto, 25 leitos de cuidados intensivos neonatal e 40 leitos de observação e recuperação pós-anestésica. Além disso, a estrutura assistencial contará com: seis salas cirúrgicas; duas salas obstétricas; três salas de endoscopia; 22 consultórios ambulatoriais; parque de diagnóstico por imagem completo; e serviços de diagnóstico em cardiologia. 

Totalmente concluído e equipado, o hospital será liberado para a população em quatro fases. Esta primeira será marcada pela abertura de 30 leitos clínicos adultos, um leito de observação, dois leitos de Unidade de Decisão Clínica e da ala de ambulatório. A estimativa é que o total de leitos esteja em funcionamento no prazo de 12 meses.

Esse é o 46º Hospital Universitário Federal que compõe a Rede HU Brasil. “Essa rede veio para colaborar de maneira decisiva para que o Brasil tenha um SUS cada vez mais forte, com cada vez mais capacidade de atender a população com qualidade, de forma humanizada e, ao mesmo tempo, se transformar num cenário de ensino e de formação dos futuros profissionais de saúde”, disse o presidente da HU Brasil, Arthur Chioro. 

Quando estiver operando em plena capacidade, o hospital contará com investimentos superiores a R$ 300 milhões por ano para custeio e pessoal, com recursos do Governo do Brasil, por meio da HUBrasil/MEC. O dimensionamento total da unidade prevê 1.527 trabalhadores, dos quais cerca de 1.400 atuarão na assistência e mais de 100 em funções administrativas. Desse total, aproximadamente 200 profissionais já estão previstos para a primeira fase de funcionamento do hospital.
ESPECIALIDADES – Estruturado como referência em média e alta complexidade, o hospital terá atuação de destaque nas áreas de clínica médica e cirúrgica, terapia intensiva (adulto e neonatal), pediatria e urgência/emergência pediátrica, atendimento a queimados e oncologia, englobando também a quimioterapia. Além da assistência, o espaço será dedicado à formação acadêmica em saúde nas áreas de medicina, enfermagem, psicologia, entre outras. 

Para a reitora da Universidade Federal de Catalão, Roselma Lucchese, a estrutura inaugurada nesta terça dará dignidade para a comunidade de Catalão e dos municípios arredores. “Nós podemos transformar a saúde e a educação das pessoas, porque hoje, nós estamos abrindo uma estrutura que tem condições de dar dignidade, tratamento digno a quem está sofrendo por uma doença. Para além de atender a nossa comunidade, pacientes que tinham que se deslocar para longe para poderem ser tratados. E para além disso, nós estamos falando de um hospital universitário para formar profissionais com capacidade, com excelência”, destacou. 

HISTÓRICO – O prédio, batizado como Hospital Universitário de Catalão Adib Elias, foi originalmente construído pela Prefeitura de Catalão com o objetivo inicial de funcionar como um hospital regional.

Posteriormente, a estrutura foi doada à UFCAT e sua gestão repassada à Rede HUBrasil/MEC (antiga Ebserh). Para adequar as instalações às exigências operacionais de um hospital-escola, a prefeitura realizou investimentos adicionais em obras. O Acordo de Cooperação Técnica que marcou essa nova fase foi assinado em 25 de fevereiro de 2025.

“Esse é um momento importante para Catalão. Nossa cidade tem uma pecuária forte, tem uma agricultura marcante, um comércio regional muito forte, temos uma indústria consolidada. E nós temos mais uma indústria hoje sendo consolidada com esse ato, que é a indústria da saúde. Hoje, a saúde passa a ter um papel tão importante na economia da cidade como os outros setores”, ressaltou o prefeito de Catalão, Velomar Rios. 

UFCAT – A universidade foi oficialmente criada em março de 2018, após o desmembramento do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás (UFG). A ideia era promover a educação superior e a produção de conhecimento da região, contribuindo para o desenvolvimento social de Catalão e dos municípios próximos. Atualmente, a UFCAT tem um campus e oferece 34 cursos de graduação e 14 programas de pós-graduação para aproximadamente 4,5 mil estudantes.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Águas Lindas recebe R$ 5,1 milhões para recuperar mais de 104m²de ruas em cinco bairros

 

                              Governador Daniel Vilela vistoriou as obras de pavimentação asfáltica. Foto: Divulgação


A intervenção, realizada por meio do programa Goiás em Movimento Municípios (GMM), conta com investimento de R$ 5,1 milhões e beneficia diretamente cinco bairros da cidade.


    

Por Cintia Ferreira


Os serviços estão sendo executados nos bairros Jardim Barragem I, Jardim Barragem II, Jardim Barragem III, Setor 08 e Setor 09. Além da recuperação do pavimento, o projeto inclui a implantação de nova sinalização horizontal, medida considerada essencial para melhorar a segurança viária e a mobilidade urbana.

As obras tiveram início no dia 3 de maio e devem ser concluídas até o fim de junho. Durante visita técnica realizada nesta sexta-feira (29), o andamento dos trabalhos foi acompanhado por representantes do Governo de Goiás, da Goinfra e da administração municipal.

Com mais de 245 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Águas Lindas é o quarto município mais populoso de Goiás e uma das cidades que mais cresceram nas últimas décadas. O avanço populacional tem ampliado a demanda por investimentos em infraestrutura, especialmente na malha viária urbana.

De acordo com a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), esta é a terceira etapa do programa de recuperação asfáltica executada no município. Entre 2021 e 2022, além de uma frente de trabalho realizada em 2025, quase 95 mil metros quadrados de vias já haviam passado por intervenções, somando R$ 3,1 milhões em investimentos.

Com a conclusão da atual etapa, Águas Lindas deverá alcançar a marca de quase 200 mil metros quadrados de pavimentação reconstruída por meio do programa estadual. Ao todo, os investimentos destinados à recuperação viária da cidade ultrapassam R$ 8,2 milhões.

A expectativa é que as obras contribuam para reduzir os problemas causados pelo desgaste do asfalto, melhorar o tráfego em regiões de grande circulação e garantir mais segurança para motoristas, motociclistas e pedestres que utilizam diariamente as vias contempladas.


Fonte: Jornal OPÇÃO

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Indústria perde até R$ 39 bilhões por ano com mercado ilegal, aponta CNI

 


Roubo de cargas, contrabando e produtos fora das normas afetam um terço das empresas brasileiras e elevam gastos com segurança

Um terço das empresas industriais brasileiras foi afetado por atos ilícitos nos últimos dois anos. É o que revela a Sondagem Especial Brasil Legal, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, a perda anual sobre a receita líquida de vendas pode chegar a R$ 39 bilhões

O estudo mostra que 31% das empresas relataram prejuízos provocados por práticas ilegais como contrabando, descaminho, contrafação, não conformidade técnica e crimes patrimoniais. O impacto foi maior entre médias e grandes empresas, atingindo 32% e 33% delas, respectivamente, enquanto entre as pequenas o percentual ficou em 25%.

Apesar disso, pequenas e médias empresas sofrem impactos mais severos sobre o faturamento. Os atos ilícitos representaram perdas equivalentes a 0,6% da receita líquida anual nas pequenas empresas e 0,8% nas médias. Entre as grandes, o índice foi de 0,4%

O gerente de Competitividade da CNI, Alexandre de Queiroz Stein, explica que, embora os impactos das ilegalidades sejam mais frequentes entre grandes empresas, os prejuízos financeiros tendem a pesar proporcionalmente mais sobre os pequenos negócios

“Isso ocorre porque as pequenas empresas apresentam maior vulnerabilidade diante da ilegalidade, justamente por elas disporem de menos recursos para se prevenir contra crimes, realizar monitoramento e até mesmo dar resposta aos riscos que favorecem essas ocorrências”, afirma.

Segundo Stein, um mesmo tipo de infração pode ter consequências muito diferentes dependendo do porte da empresa

“Por exemplo, o furto de uma carga ou de um equipamento pode significar muito em relação aos recursos que uma pequena empresa tem disponíveis e não significar tanto em relação aos recursos de uma grande empresa”, explica. 

A pesquisa também aponta que, para 50% das empresas impactadas, a principal consequência dos atos ilícitos foi a perda de receita bruta. Em seguida aparecem a redução da participação de mercado, citada por 30%, e o aumento dos custos com segurança, mencionado por 28%

Roubo de carga lidera crimes contra a indústria 

Entre os atos ilícitos mais recorrentes, o roubo de carga aparece na liderança. Segundo a pesquisa, 32% das empresas afirmaram ter sido diretamente afetadas por esse tipo de crime. 

Somente no estado do Rio de Janeiro, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estimou um prejuízo de R$ 314 milhões em 2025, com média de oito caminhões atacados por dia

O segundo problema mais citado pelas empresas foi a “não conformidade de produtos com regulamentações técnicas”, apontada por 29% dos entrevistados. A prática envolve a comercialização de produtos fora dos padrões técnicos, regulatórios ou de segurança exigidos por lei, incluindo ausência de certificações obrigatórias, rotulagem inadequada e descumprimento de normas de qualidade

Entre pequenas e médias empresas, esse foi o principal problema apontado, atingindo 26% e 33% dos negócios impactados, respectivamente. 

Stein ressalta que a comercialização e o uso de produtos fora das regulamentações técnicas representam riscos não apenas para as empresas, mas para toda a sociedade, com impactos sobre a segurança do consumidor e a economia

“Empresas que, ilegalmente, não estão de acordo com as regulamentações técnicas estão se valendo de uma prática de concorrência desleal. Porque as empresas que estão dentro da legalidade fazem uma série de investimentos, por exemplo, em laboratórios, testes e certificações. Logo, elas terão um custo maior do que as outras que não estão cumprindo com a conformidade exigida”, afirma.

Segundo o especialista, esse cenário também compromete o ambiente de negócios e reduz a segurança para novos investimentos

“Quando a empresa se depara com um mercado em que a concorrência não é justa, ela tem uma insegurança e um risco associado aos seus investimentos. Logo, há uma tendência de diminuição de investimentos, de geração de empregos e de produção industrial como um todo”, completa. 

Custos com prevenção superam perdas causadas pelo crime

O levantamento mostra ainda que a prevenção contra os atos ilícitos custa mais do que o crime. As despesas da indústria com segurança patrimonial e cibernética equivalem a 1,1% da receita líquida das empresas, totalizando R$ 68,5 bilhões. O valor supera os R$ 39,1 bilhões em prejuízos diretos causados pelos atos ilícitos

Ao mesmo tempo, a sondagem da entidade mostra que o comércio eletrônico já é o segundo principal canal de venda de produtos ilícitos e que muitas empresas sequer conseguem identificar em quais plataformas esses produtos estão sendo comercializados

“Esses dados reforçam a importância da prevenção digital e de adotar um arcabouço de segurança que vá além da segurança patrimonial. Sem inteligência cibernética ativa para monitorar redes, identificar fraudes de marca e combater o mercado paralelo online, a indústria vai continuar gastando recursos relevantes para proteger o patrimônio físico, enquanto, na verdade, perde mercados e receita nos meios digitais", analisa o gerente da CNI.

Fiscalização é apontada como principal medida de combate

Para 77% das empresas entrevistadas, ampliar a fiscalização e o controle é a medida mais importante para combater os efeitos da ilegalidade, enquanto 46% também acreditam que investimentos em inteligência podem aumentar a eficácia no enfrentamento ao crime e 36% defendem o endurecimento da legislação

A pesquisa também aponta que 41% das empresas consideram que os órgãos estaduais de segurança pública — como as polícias Civil e Militar — são os que mais precisam de fortalecimento, devido à forte atuação do crime em mercados locais e vias de transporte. 

Na sequência aparecem a Polícia Federal, citada por 38% dos entrevistados, e a Receita Federal, mencionada por 36%, principalmente pelo papel no combate a esquemas estruturados e na fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras. 

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Fonte: Brasil 61

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